sustentabilidade
Que filhos deixaremos para o planeta?
Por Regina Migliori*
Um dos aspectos que mais vem sendo usado como estímulo para atitudes sustentáveis é o apelo à responsabilidade pela herança que deixaremos para nossos filhos e netos.
Há um esforço concentrado para apagar a luz, economizar água, plantar árvores, deixar o carro na garagem, substituir o copo descartável, separar o lixo, dialogar com stakeholders, produzir relatórios de sustentabilidade, participar de eventos e debates sobre o tema, analisar as políticas públicas, acompanhar o cenário internacional, defender a Amazônia.
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Visão fragmentada X Visão Sistêmica
Por Luis Antônio Gaulia*
Numa conversa com um engenheiro de uma fábrica de bombas, mísseis e explosivos foi perguntado se o sujeito tinha algum tipo de culpa pelo que produzia. A resposta veio com um tiro de fuzil: “Não tenho culpa de nada. Aqui eu só faço a colocação do detonador. Nem sei quanto de explosivo existe nesse artefato. Também não sou eu quem jogará essa bomba em cima dos outros”.
O exemplo acima ilustra bem o que significa ter uma visão fragmentada do mundo e da vida. Diferentemente de uma visão sistêmica – que considera o conjunto, o todo e a teia de conexões e interdependências de qualquer atividade humana. E que é fundamental para a sobrevivência atual de nossa espécie na terra.
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A propaganda sob a ótica de um novo consumidor e a sustentabilidade como atributo de valor
Por Bernadete Almeida*
Dentro do debate em torno da atuação sustentável por parte das empresas , a emergência da perspectiva do engajamento de partes interessadas como uma de suas dimensões centrais foi sobretudo potencializada pelo processo de intensificação da mobilização social, em decorrência dos processos históricos já abordados em outros capítulos, como o movimento da contracultura no final dos anos 60 e no caso do Brasil, a redemocratização nos anos 80 , para ficarmos em dois históricos divisores de águas. No entanto, é importante lembrarmos que embora a visão participativa - que permeia o modelo de gestão que tende a considerar mais amplamente os interesses dos stakeholders, compatibilizando-os com o dos acionistas - seja uma tendência em ascensão, se configurando como paradigma atual nas empresas , existem contrapontos e críticas a esta perspectiva , especialmente por parte dos que advogam um modelo de governança corporativa ainda fortemente voltado aos acionistas, entre estes, o polêmico economista Milton Friedman.
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Uma Breve História de (In)Sustentabilidade
Por Mauro Kahn e Pedro Nobrega*
O ser humano, desde o período paleolítico, caracteriza-se pelo desperdício e consumo deliberado de recursos naturais. Mesmo quando se organizava em pequenos grupos nômades, o homem jamais hesitou em esgotar os recursos de caça e coleta em uma região, poluí-la e abandoná-la em busca de um novo local para se estabelecer e explorar.
No entanto, este impulso de destruição era muito suavizado pela pequena e dispersa população mundial (demorou-se milênios até que se tenham reunido mais de 500 pessoas em uma mesma região, uma vez que não haveria alimento para todos e o conceito de “família” ainda era primitivo). A própria demanda, na realidade, era relativamente muito baixa. A qualidade de vida do homem, neste momento, não exigia que seu ambiente fosse profundamente modificado, e as espécies animais ou vegetais acabavam posteriormente recuperando seu espaço.
A situação começou a se alterar no período neolítico, com o surgimento da agricultura e, conseqüentemente, de grupos sedentários. A partir daí, a criatividade humana foi colocada em prática para superar os obstáculos da demanda, e foram desenvolvidas novas técnicas de exploração, que aos poucos foram tornando cada região uma fonte teoricamente inesgotável de espólios para seus habitantes.
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