sujeira das cidades

Rua não é cinzeiro

Rua não é cinzeiro
Escrevi há anos que a cidade de São Paulo era o maior cinzeiro do mundo, título do artigo, devido aos milhões de moradores e ao proporcional número extraordinário de fumantes, que inundavam a cidade com as pontas de cigarro jogadas nas ruas sem nenhum pudor.
Caiu um pouco a quantidade de pontas de cigarro em função da diminuição dos fumantes que, por sua vez, diminuiu em razão das campanhas contra o uso do tabaco, pelo mal que causa à saúde de todos. Embora debatesse a questão dos fumantes, o foco era mais amplo, pois as bitucas apenas eram, e ainda é, a principal sujeira das cidades brasileiras, mais um problema social brasileiro eterno e insolúvel, como quase todos.
Nenhum problema arraigado se resolve com facilidade, mas este não requer milhões de dólares para ser resolvido. Apenas um pouco mais de engajamento das autoridades, especialmente dos prefeitos, mas todos poderiam contribuir, especialmente os diretores das escolas, os professores e os comerciantes.
Todos têm conhecimento de que as matrículas de crianças em idade escolar chegaram em quase cem por cento. Que o número de alunos universitários tem aumentado ano após ano. Nenhum desses indicadores tem refletido na mudança de comportamento dos brasileiros, tanto que, quase cem por cento dos fumantes ainda continuam atirando suas bitucas nas ruas. Um lance é conhecido por todos, que é aquele chute com o dedo indicador. Nenhum fumante utiliza cinzeiro portátil. Voam pontas de todos os lugares, dos carros de luxo às calçadas de bares chiques. Por se tratar de comportamento generalizado, os jardins e canteiros das cidades se tornaram verdadeiros cinzeiros. Não há exceção de classe social nem de escolaridade.

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